
Hoje eu vi você fechando os olhos para olhar para dentro de si. Seus olhos estão semimortos, sem vida, sem brilho. Mas você sabe disso e até admite. Mas evita pensar no assunto do qual você é seu grande representante.
Você força um sorriso amigável, uma gargalhada sem motivo para manter as aparências. No fundo o que você mais quer é fugir.
Eu sei.
Ainda sente aquela dor, aquele remorso. O deus do arrependimento sempre te visita nos seus pensamentos. Mas por fim é consolado pelo deus Chronos, o bom e velho amigo. Por vezes você o insulta porque demora a atender ao seu pedido, e ele sempre com aquelas velhas palavras: "O que você precisa é de tempo".
Tempo. Tempo. Tempo.
Nem é sequer questão de tempo.
Não vou endereçar seu pedido de tempo, porque no fundo cada um sabe o seu. Cada um pode ser e deve ser, e você já é.
Sem essa de brincar que a partir de hoje você será uma nova pessoa.
As coisas mudaram e você não percebeu.
As pessoas sempre foram as mesmas, você que se iludiu com falsas promessas.
Você é novo e não lhe basta.
Você perdeu e admite.
Você é feliz e não sabe.
Sua felicidade é apenas questão de distância.
Corra agora e vá tocar uma música. Ler um artigo. Uma piada. Uma crônica. Um show frustrado. Um encontro a dois. Conversa com a pessoa cheia de medos e receios. Ouça seus conselhos hipócritas. Corra para os braços de seu desespero. Fuja.
Seus olhos me dizem muitas coisas.
Eu sei.
Mas seus atos, nada.
O espelho só reflete aquilo que vê, mas esconde o peito apertado, a angústia da espera, o medo de perder.
Por quê?
Levanto e fico achando que o ser humano é um bicho muito engraçado.
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